Inox 304 ou 316: qual usar no seu corrimão
Molibdênio, cloro e maresia: quando o 316 é obrigatório e quando ele é só custo a mais.

Qualquer orçamento de corrimão deveria trazer a liga escrita. Quando não traz, quase sempre é porque o material não é o que o cliente imagina. Entender a diferença entre 304 e 316 leva cinco minutos e evita um problema de dez anos.
O que muda na composição
Os dois são aços inoxidáveis austeníticos, com cromo e níquel. A diferença decisiva é que o AISI 316 contém de 2% a 3% de molibdênio, e o 304 não contém nada.
O molibdênio faz uma coisa específica: aumenta muito a resistência à corrosão por pites — aqueles pontinhos escuros que aparecem e furam a superfície. E quem causa pite é, principalmente, o íon cloreto: cloro de piscina, sal marinho, alguns produtos de limpeza.
Quando o 304 resolve (a maioria dos casos)
Em Belo Horizonte, o 304 atende com folga:
- Escadas internas de qualquer tipo
- Corrimão de parede em prédios e corredores
- Guarda-corpo de sacada e varanda
- Escadas externas, entradas e jardins
- Gradis, portões e grades
- Barras de apoio de banheiro
Não estamos no litoral, não temos maresia e a poluição urbana da capital não é agressiva o suficiente para justificar o custo extra nesses cenários.
Quando o 316 se justifica
- Borda de piscina e área molhada com cloro — o respingo de água clorada é a situação clássica de pite
- Sauna e spa — calor, umidade e produtos químicos combinados
- Imóveis no litoral — maresia ataca o 304 em poucos anos
- Cozinhas industriais e áreas de processo — limpeza pesada com produto clorado
- Ambientes industriais com vapores ácidos
Nesses casos, o 316 não é luxo: é o que evita trocar a peça inteira em cinco anos.
Cuidado com o "inox" que não é 304
A maior parte das reclamações de corrimão de inox enferrujando não é problema de 304 versus 316 — é AISI 430 vendido como inox genérico. O 430 é ferrítico, tem menos níquel, é magnético (gruda ímã) e não aguenta área externa. É o material que aparece nas propostas com o menor preço da praça.
Teste rápido em casa: encoste um ímã de geladeira. Se grudar com força, provavelmente é 430. O 304 e o 316 são praticamente não magnéticos, embora possam apresentar leve atração em regiões que sofreram dobra ou solda — isso é normal e não indica material errado.
Manchas de ferrugem no 304: quase sempre contaminação
Um ponto que confunde muita gente: pontos alaranjados na superfície de um inox 304 raramente são o inox corroendo. Costumam ser partículas de ferro depositadas — respingo de esmerilhadeira usada na obra ao lado, contato com ferramenta de aço carbono, água de escoamento de estrutura enferrujada.
Essas partículas oxidam sobre a superfície e parecem ferrugem da peça. Saem com passivação ou com limpeza específica para inox, e a peça volta ao normal. Por isso, ao instalar corrimão em obra corrida, protegemos as peças até a etapa final.
Resumo prático
Se tem cloro, sal ou química pesada perto, especifique 316. Fora isso, 304 com parede de 1,2 mm ou mais é a escolha certa em quase toda obra em BH. E, em qualquer cenário, exija a liga escrita na proposta.


